Brasil: El mapa del nuevo gobierno

Nov-20-10 - por Murillo de Aragão

Será um governo de continuidade? Uns dizem que sim. Outros dizem que não. A resposta é complexa. Grosso modo, o governo de Dilma Rousseff será uma continuidade do governo Lula. No entanto, continuidade não significa imutabilidade. Portanto, alguns postos-chave podem ser mudados. Porém, não tenham dúvida: tudo será feito de acordo com o pensamento e a orientação de Lula.

Caso fosse reeleito para um terceiro mandato, Lula também faria modificações em seu time. Aliás, fez depois que foi reeleito para o seu segundo mandato. Ao olhar a atual equipe ministerial, Lula e Dilma devem avaliar o quadro de ministros com vistas ao futuro. Hoje temos várias situações. Uns são importantes, outros são interinos. Alguns não corresponderam e outros ainda são incompatíveis com a nova realidade política do país.

Na configuração do novo ministério, a hierarquia e também alguns requisitos devem ser respeitados. O primeiro deles é que a presidenta vai reservar para sua escolha pessoal os postos estratégicos, a saber: Fazenda, Banco Central, Planejamento, Relações Exteriores, Casa Civil, Relações Institucionais, Justiça, Educação, além das presidências de empresas estatais importantes, como Petrobras, Eletrobras e Telebras.

Na escolha dos postos-chave, Dilma já poderá atender pedidos partidários. Após o preenchimento dos cargos estratégicos, começa a disputa pelos demais postos. Nesse sentido, a hierarquia da escolha deverá respeitar, pela ordem, PT, PMDB, PSB, PR, PDT e os demais. PP, PTB e PV, por conta de suas respectivas posturas na campanha eleitoral, deveriam perder a primazia de indicar algum ministro. O PP não integrou a coligação de Dilma na disputa presidencial; o PTB apoiou José Serra, candidato da oposição (PSDB), e o PV concorreu com Marina Silva. O PP tem hoje o cobiçado Ministério das Cidades. O PTB tinha o Ministério das Relações Institucionais e o PV, o de Meio Ambiente.

Para complicar o quadro, Dilma pretende – e com toda razão – dar mais espaço às mulheres em seu governo. Dizem que, pelo menos, 11 ministras serão escolhidas. Portanto, o desafio é imenso: a) constituir um núcleo estratégico de governança; b) atender aos principais aliados; c) inserir um número inédito de mulheres no governo; e d) atender aos demais aliados e simpatizantes. Tudo visando constituir um governo eficiente e harmônico.

O desafio de Dilma não acaba aqui. Além dos que mencionamos, existem ainda dois fatos novos. O primeiro é que os partidos não querem ser “barriga de aluguel”: ou seja, querem apontar os nomes dos “seus” ministérios, e não ter alguém de fora inserido no quadro partidário. O segundo fato é que alguns partidos cresceram no Congresso e, por conta disso, querem mais ministérios. É o caso do PDT e do PSB. O PDT tem 23 deputados e elegeu 28. No Senado, cai de 6 para 4. Já o PSB, que tem 27 deputados, terá 34 na próxima legislatura. Sai de 2 para 3 senadores. Além disso, o PSB elegeu seis governadores (Amapá, Paraíba, Piauí, Ceará, Espírito Santo e Pernambuco). Perde apenas para o PSDB (8).

Assim, mesmo sendo um governo de continuidade de ideias e programas, não será um governo formado pelas mesmas pessoas, nem os partidos serão considerados de forma igual. Tanto por conta dos desafios de compor os interesses de vários públicos quanto pelo simples fato de que Dilma não é Lula, ainda que venha a ter no presidente o seu conselheiro mais importante. Em entrevista no dia 3 de novembro, ela listou pelo menos três critérios para a definição de sua equipe: ter competência técnica, política e ter forte relação com o país.