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Brasil: Eleições pendentes de fatos novos PDF Imprimir E-Mail

Oct-20-10 - por Murillo de Aragão

Faltam duas semanas para as eleições. O quadro está indefinido, tanto pela intranquilidade que as pesquisas geram quanto pelo que pode acontecer de novo até o dia 31 de outubro. No entanto, apesar da incerteza, existe uma favorita: Dilma Rousseff. Caso nada de extraordinário ocorra, ela será eleita a primeira mulher presidente do Brasil.

O erro das pesquisas no primeiro turno colocou o analista em situação de alerta. Será que estão certas? Qual a medida do erro? Trata-se de questões dramáticas em uma eleição em que a vantagem de um não é tão larga a ponto de se poder desprezar a margem de erro. Caso Dilma liderasse por mais de dez ou 12 pontos, qualquer prognóstico seria tranquilo.

A outra fonte de incerteza refere-se à hipótese de eclosão de algum novo escândalo. É evidente que, se explode um escândalo e a mídia o trata com estardalhaço, as tendências podem ser afetadas. Vale destacar que escândalo, para ter impacto eleitoral, tem que ser noticiado de forma ampla e exaustiva. Tal qual fizeram com o episódio Arruda, cujo vídeo em que aparecia recebendo dinheiro foi exibido mais de uma dezena de vezes no horário nobre.

Foi assim também no episódio dos “aloprados”, em 2006, no final do primeiro turno. Sem ele, Lula teria sido eleito sem segundo turno. De certa forma, sem o episódio Erenice Guerra, Dilma já estaria eleita. O escândalo na Casa Civil alimentou a onda em torno de Marina Silva (PV) e deu alguns pontos para Serra.

Outro fato que merece ser destacado é a abstenção. Nas duas últimas eleições presidenciais (2002 e 2006), ela cresceu no segundo turno. No Norte e Nordeste o aumento foi maior. E nestas duas regiões Dilma tem ampla vantagem sobre Serra. Senado assim, ela tende a perder mais com as abstenções do que o candidato do PSDB. Em 2006, por exemplo, a abstenção do Norte cresceu de 17,74% para 24,49%, no Nordeste de 17,49% para 20,48%, no Centro-Oeste de 16,23% para 18,15% e no Sul de 14,65% para 16.07%. Há quatro anos, a abstenção total cresceu de 16,75% para 18,99%

Talvez alguém me pergunte sobre a guerra suja da internet, que tanto prejudicou Dilma. Uma nova onda de boatos poderia afetá-la? Nessa altura dos acontecimentos, acho que não afetará a ponto de, por si só, mudar as tendências dos votos. Perto das eleições, o eleitorado costuma ter uma atitude mais reflexiva, ao invés de reagir de forma emocional. Em especial quando o desempenho do governo é apoiado por tantos.

Ao longo do processo eleitoral, disse que Serra foi passageiro do avião das eleições. Teria sido sempre assim se não houvesse eclodido o episódio Erenice nem a mídia tivesse adotado uma postura hostil em relação a Dilma. Ou seja, sua campanha – por suas propostas – nunca teve o condão de empolgar. E sem o noticiário teria tido desempenho ainda pior.

Assim, considerando as pesquisas como certas ou não muito erradas, Dilma deverá ganhar no segundo turno com base nas seguintes considerações: lidera com ampla vantagem no Nordestes; perde por pouco nas demais regiões; Lula bate recorde de popularidade; há uma tendência em se votar em uma mulher para presidente; os votos que estão em aberto,mesmo que fossem para Serra, não seriam suficientes para lhe assegurar a vitória.

Apesar de o favoritismo de Dilma ter sido sempre a tônica, mesmo quando ela não liderava a campanha, erros e fatos novos transformaram uma eleição tranquila em um processo disputado. Portanto, fica o alerta: meu prognóstico é baseado no cenário de hoje e a partir das informações ora disponíveis. Até mesmo pelo fato de que aquele que prevê o futuro erra mesmo quando acerta!

 
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