ACM elegeu um desconhecido depois de uma tragédia

Ago-14-14 - por Murillo de Aragão

O mídia citou vários exemplos de tragédias que interromperam carreiras políticas, como as de Marcos Freire (PMDB) e José Carlos Martinez (PTB).

A mais próxima do acidente que matou Eduardo Campos ganhou pouco destaque.

Em outubro de 1982, morreu num acidente aéreo Cleriston de Andrade, ex-prefeito de Salvador e presidente do banco do estado, candidato ao governo da Bahia.

Antonio Carlos Magalhães, lendária raposa política, pôs em seu lugar João Durval (PDT), hoje senador. Faltava um mês para a eleição e Durval era completamente desconhecido. ACM fizera uma troca rápido muito arriscada.

Mas seu estilo agressivo de fazer política (principalmente campanha eleitoral), a repercussão emocional do desastre e os governos bem avaliados do velho político empurraram João Durval, na época deputado federal.

Elegeu-se com 60% dos votos, na verdade dados a Antonio Carlos, um cacique autoritário, mas extremamente eficiente eleitoralmente.

O impacto político da tragédia

Marina Silva é a sucessora natural de Eduardo Campos e está novamente no centro de uma reviravolta na sucessão presidencial, menos de um ano depois de associar-se a ele e imprimir novo rumo às eleições deste ano.

A tragédia que vitimou o candidato do PSB à Presidência aumentou as chances de a eleição ser decidida no segundo turno e pôs em risco a liderança de Aécio Neves no segundo lugar da disputa.

Tudo depende do piso do qual ela partirá, com o desaparecimento do líder da chapa depois de um mês de campanha, e da reação da estrutura partidária a ser mobilizada pelo PSDB, com candidatos competitivos em quase todos os estados.

A lei determina que a substituição deve ser feita em dez dias, tempo para o luto e negociações políticas. O fato de o grande projeto de Marina ser a Rede, partido ao qual tem dedicado toda a sua ação política, pode dificultar a absorção de seu nome.

Ela apareceu na televisão muito abatida e transmitiu uma mensagem emocionada.