Dilma pide fin al pesimismo

Jul-31-14 - por Murillo de Aragão  

A presidente Dilma aproveitou a sabatina com empresários reunidos na Confederação Nacional da Indústria (CNI) para dissipar o pessimismo propagado por setores que, segundo ela, tentam influenciar os rumos da eleição. “Expectativas pessimistas bloqueiam as realizações”, disse a presidente. Segundo ela, o ambiente econômico está contaminado por diversas previsões negativas, entre elas as de “tempestade perfeita”, em que tudo vai dar errado, a exemplo do receio quanto à realização da Copa do Mundo e as avaliações de que o Brasil teria racionamento de energia. “Essas profecias não se realizaram nem se realizarão”, afirmou.
 
A presidente negou que haja descontrole da política econômica e lançou mão de toda a habilidade política para mandar uma mensagem positiva ao setor industrial, o mais castigado pelas dificuldades econômicas dos últimos anos. A maior expectativa dos empresários não foi satisfeita:  a antecipação das principais linhas do programa de governo no caso de reeleição e as respectivas correções de rumo. Dilma afagou a plateia ao afirmar: “Não se iludam: nós nos gostamos. A pior coisa que pode acontecer com um Estado e com os empresários é ficar pessimista”. Segundo ela, forçar a realização dessas profecias pessimistas em período pré-eleitoral tem forte componente político.
 
“Vamos entrar em um novo ciclo porque criamos as bases (para isso).” Questionada se o Brasil veria no ano que vem um “tarifaço” nas contas de energia e gasolina, a presidente afirmou que a questão é “prima-irmã” das previsões pessimistas: “Pregar esse tarifaço é para assustar as pessoas e as empresas.” Dilma repetiu que o País tem hoje uma situação macroeconômica que lhe permite debelar adversidades, pois, segundo ela, o Brasil tem reservas de U$ 379 bilhões, enquanto o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tinha U$ 37 bilhões.
 
TV é principal fator que define o voto
 
De acordo com a última pesquisa Ibope, divulgada na semana passada, o eleitor avalia que a sua situação econômica está melhor do que a do país. Isso pode ser explicado em parte pelo noticiário negativo da mídia eletrônica e impressa. Por exemplo: 24% dos entrevistados avaliam que a situação econômica do país é “ótima/boa”, 48% acham que ela é “regular” e 25%, “ruim/péssima”. Apesar dessa avaliação positiva da conjuntura ser baixa, quando os brasileiros analisam sua própria situação econômica os números são bem distintos. Para 43% dos entrevistados, sua situação econômica é “ótima/boa”; 45% entendem que ela é “regular”, e apenas 12% dizem que é “ruim/péssima”.
 
Em relação a 2015, mesmo diante dos prognósticos pessimistas feitos pelos especialistas,essa não é a percepção do eleitorado. De acordo com o Ibope, ao avaliar a situação econômica do Brasil no ano que vem, 34% dizem que será “melhor”; 41% responderam que ficará “igual” e 18% acreditam que a situação será “pior”. Mas quando os mesmos entrevistados avaliam como será sua situação econômica em 2015, 52% respondem que ela estará “melhor”; 37% dizem que ficará “igual” e apenas 6% acreditam que estará “pior”. A diferença entre as avaliações da situação econômica do país e dos eleitores é consequência da influência que o noticiário exerce sobre os entrevistados. A maioria ainda define seu voto pela televisão (notícias e propaganda política).