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As dificuldades que a Venezuela viverá PDF Imprimir E-Mail

May-19-08 - por Thiago Aragão

O preço do barril de petróleo em US$ 120 possibilita muitas ações à Hugo Chavez que normalmente não seriam possíveis. A Venezuela, historicamente dependente de sua maior benção, o excesso de petróleo, nunca conseguiu desenvolver setores da indústria que corroborassem a possibilidade de um país forte, desenvolvido e auto-suficiente. As imensas reservas de petróleo tornaram o governo e a alta sociedade venezuelana em apreciadores de produtos importados.  

Esse comportamento gerou a grande distância entre ricos e pobres no país. A divisão de baseou na capacidade que cada um tinha em comprar produtos de primeira necessidade. Os pouco abastados compravam produtos venezuelanos, de baixa qualidade, pois a indústria local nunca conseguiu se desenvolver. Os abastados compravam sempre produtos importados, de alta qualidade, impossibilitando que a indústria local se desenvolvesse.  

Com este recorrente cenário ao longo dos anos, a situação que se vê hoje não é originária apenas no governo de Hugo Chavez. A falta de abastecimento de alimentos no país não se trata de um problema conjuntural do atual governo. Trata-se de um problema estrutural da história do próprio desenvolvimento venezuelano. No momento em que o governo limitou as ações da já fraquíssima indústria local, a produção se tornou demasiada inibida para providenciar a população dos produtos de baixa qualidade que compravam. Os produtos importados seguiam fora do alcance econômico da grande parcela da população venezuelana. Quem produzia alimentos na Venezuela, de qualquer forma que fosse, passou a perceber que os custos e preços impostos pelo governo não eram compatíveis com o custo de produção, preferindo assim suspender suas atividades.  

O grande erro do governo de Chavez foi não prever essa situação e oferecer incentivos necessários para produtores privados no país. A criação da PDVA, subsidiária da petrolífera PDVSA voltada para o ramo alimentício nada mais fez do que centralizar a aquisição de produtores de alimentos no país. Quem não fechou as portas, aderiu ao governo e passou a produzir sem esperar que seu esforço representasse um aumento de lucratividade. Em muitas das vezes, nem lucratividade havia.  

Aliado a isso, a inflação mina as capacidades do governo chavista. Obviamente, com o preço do barril a US$120, a inflação passa despercebida para o governo, mas não para as camadas mais pobres da população, justamente a base eleitoral de Hugo Chavez. Não é surpresa que as recentes pesquisas de popularidade apontam o pior resultado de Chavez desde que este assumiu o governo.  

Alguns analistas acreditam que o preço do barril não sustentará esse patamar por muito tempo. Há quem acredite que ele poderá fechar esse ano em US$ 90/barril. A estimativa ainda é mais pessimista para o setor, prevendo que em 2009 o preço poderá cair para US$ 73 e US$ 70 em 2010. Com o valor baixando desta forma, a inflação tomará proporções enormes, já que não há qualquer demonstração do governo de que esta está sendo combatida.  

Ao longo do governo Chavez, pudemos observar que a cada problema doméstico, ocorre uma radicalização imposta pelo governo. Dois fatores provocarão forte radicalismo chavista: 

  1. Se o valor do barril baixar para US$ 73 em 2009, Chavez exaltará um inimigo externo para justificar a falta de progresso interno. A alta da inflação será tratada como um "boicote à economia". Nacionalizações se intensificarão devido à necessidade de obter renda de outras fontes. No entanto, com a falta de desenvolvimento tecnológico, não se sustentará por muito tempo. A falta de investimento na própria PDVSA dificultará a capacidade de extração da empresa nos próximos anos.
  2. Se Chavez for o vencedor nas eleições municipais de novembro/2008, haverá intensa radicalização política em 2009. Acredita-se por meio de fontes governistas que uma reforma constitucional ainda mais ousada será apresentada em 2009, caso Chavez seja o vencedor em 2008. A Reforma Constitucional ocorrerá em 2009 paralelo ao enfraquecimento da economia, fazendo com que mudanças constitucionais sejam mais profundas.
 
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