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Marina tem eleitores fiéis, diz Datafolha PDF Imprimir E-Mail

Ago-19-14 - por Murillo de Aragão

Reveladora a entrevista do Mauro Paulino, diretor geral do Instituto Datafolha, ontem, no programa Roda Viva, da TV Cultura, de São Paulo. Segundo ele, ao contrário do que muitos imaginavam, a tragédia da morte de Eduardo Campos não agregou votos a Marina Silva. Os 21% que ela teve agora são similares ao percentual de votos totais que ela recebeu em 2010 (17,7%) e próximo também aos 27% (considerando a margem de erro), que ela tinha em abril, após a exposição do programa partidário do PSB. Ou seja, os 21% são vistos por Paulino como o capital político da ex-senadora. Mais importante: Marina consegue atrair os chamados “desiludidos com a política”. Com a entrada dela no páreo, o índice de brancos, nulos e indecisos cai para o patamar histórico de 10%. Paulino chamou a atenção de que nesta eleição, o sucesso vai depender da comunicação do candidato, de um discurso que vale dia a dia das pessoas, que pedem melhores serviços públicos.

 Fator Marina passou a mandar no jogo

De posse dos dados do Datafolha da volta de Marina ao páreo presidencial, um marqueteiro comentou que pode-se demonstrar qualquer coisa com os números conhecidos na manhã desta segunda-feira. Ou seja, todos três presidenciáveis têm motivos para puxar a brasa para sua sardinha, mas é inegável que a candidata a ser ungida amanhã pelo PSB é a que ganha mais impulso, tem mais motivos para apostar no futuro. Fora do centro da disputa há três meses, quando abriu caminho para Eduardo Campos disputar na cabeça da chapa, ela volta com quase o triplo das intenções de voto que ele conseguiu acumular. Não é pouco. E deixa a ex-senadora numa posição muito confortável para ditar os termos de sua candidatura. Mesmo que se desconte o momento de forte impacto emocional do período em que os eleitores foram ouvidos, o nome de Marina na cédula produziu um impacto que embolou a competição e desautoriza qualquer prognóstico. Os três candidatos competitivos ficaram quase do mesmo tamanho, pois, se Dilma Rousseff conserva-se no primeiro lugar, aumentaram muito as chances da eleição ser decidida no segundo turno, hipótese em que ela perderia para Marina. É um favoritismo que nem de longe Campos atingiu. O fato da ex-senadora acumular agora chances reais de poder foi suficiente para despertar a curiosidade geral. Todos querem saber quem é Marina Silva.

 Beto Albuquerque será vice do PSB. Marina sinaliza diálogo com o agronegócio

A escolha de Beto Albuquerque para vice na chapa de Marina Silva é uma demonstração de que só quem não a conhece pode carimbá-la como inflexível. Beto é um dos melhores quadros do Congresso, estudioso e mais de uma vez escolhido pelos jornalistas como o melhor parlamentar do ano. Foi líder do governo Lula e secretário dos governadores Olívio Dutra e Tarso Genro para o setor de Transportes, que conhece como poucos. Beto Albuquerque é próximo do agronegócio, o setor da economia com o qual a nova cabeça de chapa do PSB tem grandes dificuldades de diálogo. Nas eleições de 2010, no Centro-Oeste e no Sul, onde é mais expressiva a presença dos negócios agrícolas, Marina foi menos votada que Dilma e Serra. Ao sancionar o nome de seu companheiro de chapa, Marina sinaliza que embora defenda princípios de uma política ambientalista sustentável, não tem vetos ao segmento da economia responsável pela maior receita da balança comercial.

O deputado socialista tem bom trânsito em vários setores, como o das empreiteiras e dos pequenos produtores agrícolas. Foi Beto quem fez a ponte entre Eduardo Campos e os grandes empresários agrícolas do Rio Grande do Sul, onde o PSB fez aliança com o candidato a governador José Ivo Sartori, do PMDB de Pedro Simon. Se o ponto de vista do agora candidato a vice tivesse prevalecido, o partido de Campos teria fechado com a jornalista Ana Amélia Lemos, líder das pesquisas na disputa pelo Palácio Piratini com 39% segundo o Datafolha de 14 de agosto. 

 

 
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