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Brasil: El naufragio de la oposición PDF Imprimir E-Mail

Sep-08-10 - por Murillo de Aragão

A ascensão hegemônica de Dilma Rousseff nas pesquisas trouxe estupefação aos arraiais da oposição. Muito adequadamente, José Sarney perguntou se tucanos e democratas a não teria imaginado que tal fato aconteceria. Respondo que não.

Nos últimos dois anos conversei com muitos políticos de oposição. A todos eu dizia que a derrota de José Serra ou Aécio Neves era mais do que evidente, por conta do ambiente psicossocial e, ainda, pela conjuntura econômica no país.

Dizia também que a oposição não se preparava para o final da era Lula. E que a atuação do eixo PSDB-DEM, nos último oito anos, vinha sendo inconsistente, oportunista e superficial. Dependente dos erros do governo e sem construir um discurso que pudesse ser oferecido ao mercado eleitoral.

Alguns respondiam que era puro delírio e que a popularidade de Serra seria mais do que suficiente para impedir que Dilma se transformasse em uma candidata competitiva. Fiando-se apenas no recall de Serra, esperaram o momento do confronto.

Outros consideravam que Serra teria melhor currículo do que Dilma e que, portanto, seria mais bem julgado pelo eleitorado. Nessa linha, diziam que “não era possível” que o eleitorado não observasse as relevantes qualidades de Serra diante da trajetória  de Dilma.

Para agravar a ideia de delírio, afirmavam que o mau humor da candidata e a sua fama de ríspida pesariam na campanha. Pois bem, nada disso aconteceu. Pelo simples fato de que a oposição lutou contra o presidente mais popular da história do Brasil em um ambiente de extremo sucesso para o governo.

Duvido que Aécio Neves, com sua intuição, não soubesse disso com antecedência. Usou da questão presidencial para aumentar ainda mais seu cacife político em Minas. Valorizou sua “derrota” para Serra sabendo que este caminhava para o sacrifício.

Agora, com o iminente revés no primeiro turno, resta saber o que vai ser da oposição. Primeiro: vale destacar que o Brasil não pode prescindir de uma oposição atuante e responsável. Segundo: devemos entender que sua atual postura, se não foi irresponsável, foi altamente ineficiente.

O cenário que se apresenta não é bom para a cidadania. Ter uma oposição fraca, desarticulada e sem propostas pode dar ao governo a sensação de onipotência. O Brasil precisa de uma oposição consistente que – ao fazer oposição – propicie um debate de alto nível, para o bem do país.

O PSDB, salvo em São Paulo, não soube construir uma ideologia de poder. Dependeu do Plano Real para se alavancar e, quando deixou de ter essa bandeira, não conseguiu se explicar de forma convincente para o eleitorado. Pior, enterrou o legado de FHC como se este fosse uma herança indesejável. Para vencer dependeu de um fracasso que não veio. Se for esperar o governo errar novamente poderá ficar fora do poder por mais 20 anos.

O que podemos esperar de hora em diante? Talvez mais um período negro para a oposição. Sem discurso e sem atores políticos relevantes, ela vai depender da figura de Aécio Neves para articular alguma forma de resistência. Mas, para ter algum sucesso, não basta apontar os desvios e esperar erros eventuais do governo. É preciso uma nova forma de fazer política e entender o Brasil de hoje, o que implica, sobretudo, saber se comunicar.

Para as forças governistas, a ausência de uma oposição política e partidária organizada é um fator de tranquilidade. Assim, os maiores desafios virão apenas da gestão da imensa base aliada e da oposição praticada por setores da grande mídia. Para o país, uma oposição fraca não é bom. Principalmente quando a culpa é dela mesma, de sua frágil capacidade de se articular.

 

 
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