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Murillo de Aragão

Pesquisa Ibope anima Lula
 

Ene-23-06 - por Murillo de Aragão

'... de acordo com a presidência da República, cerca de 80% dos indicadores do governo Lula são melhores do que a gestão FHC. É o resultado de pesquisas qualitativas realizadas nos últimos meses'
"... de acordo com a presidência da República, cerca de 80% dos indicadores do governo Lula são melhores do que a gestão FHC. É o resultado de pesquisas qualitativas realizadas nos últimos meses"

Para Lula, que nas pesquisas do ano passado estava atrás de José Serra nas simulações de primeiro turno, os resultados da última pesquisa Ibope (12 a 16 de janeiro) foram positivos. Ainda que tenha a maior rejeição entre os seus principais adversários (30%), o nome do presidente ainda oscila entre 35% e 41% das intenções de voto. Vale lembrar que Lula está há meses sob intenso tiroteio da oposição e da imprensa.

A recuperação de Lula pode ser explicada por alguns fatores. Um deles é que no último trimestre do ano, por conta do Natal, as contratações costumam aumentar, o que ajuda a criar uma boa expectativa na população economicamente ativa. Outro ponto é que Lula e o governo tiveram boa exposição na mídia com o pagamento da dívida com o FMI, o anúncio, ainda que cheio de confusão, do plano de recuperação das estradas, e o aumento de gastos.

O recesso branco do Congresso ajudou a reduzir a pancadaria da oposição no governo. Somado a isso, não houve nenhum fato novo grave capaz de prejudicar a imagem do governo.

Os resultados da pesquisa ajudam a confundir ainda mais o PSDB. Apesar de Serra ser o candidato mais forte do partido, ele perde para Lula no primeiro turno e está tecnicamente empatado com o presidente no segundo. Isso pode fazer com que o prefeito de São Paulo pense melhor na possibilidade de deixar o cargo para disputar a presidência da República (veja comentário específico sobre o PSDB).

Alckmin continua empatado com Garotinho e no melhor cenário aparece com 18%. Ou seja, parte do PSDB teme que Alckmin não consiga garantir seu lugar no segundo turno. Os resultados da pesquisa deixam claro para o PSDB que a batalha não está ganha e poderá ser mais difícil do que eles imaginavam.

Serra está levando vantagem na disputa

Ultrapassada a metade do mês, José Serra consolida dianteira na disputa com Geraldo Alckmin pela candidatura presidencial do PSDB. Foi o que mostrou a pesquisa do Ibope divulgada na quinta-feira passada. Serra aparece muito bem apesar da liderança de Lula.

Geraldo Alckmin continua patinando. Mesmo tendo elevado o tom de suas declarações. Pelo menos tem a comemorar o fato de ser o candidato preferido dos parlamentares do seu partido. Assim como dos banqueiros, do mercado e dos empresários. Já é alguma coisa. Mas não é suficiente para arbitrar a escolha a seu favor.

Alckmin continua dando a impressão de ser muito "paulista" e pouco nacional. Além de não ter interlocutores de confiança na elite do jornalismo. Nem se mostra bem relacionado com o PFL. Serra articula em elevada voltagem, enquanto Alckmin dá a impressão de atuar em marcha lenta.

José Serra, apesar da aparente vantagem, não deve descansar. Sua imagem junto a setores do empresariado não é boa. Consideram-no personalista, egocêntrico, arrogante e obsessivo. Episódios de sua relação com a indústria farmacêutica e os planos de saúde são lembrados. Serra é visto por muitos como um "José Dirceu" mais competente e preparado e com baixíssima capacidade de ouvir. Seus amigos dizem que não é bem assim, mas a impressão existente é ruim e retira energia de sua candidatura.

Alguns interlocutores influentes do empresariado chegam a considerar que Lula é ainda a melhor opção, desde que mantenha Palocci no comando da economia. Serra deve combater o mito sobre sua imagem. Não custa lembrar que Ciro Gomes sofreu por ser percebido como um político voluntarioso e cabeça-dura.

O favoritismo do prefeito não facilita o desafio que será abandonar o cargo e entregá-lo de bandeja a Gilberto Kassab. Se acontecer, será um fato que terá que ser bem explicado. Além disso, será preciso encontrar um bom lugar para Alckmin, que poderá ser decisivo para a sua eleição.

FHC continua afiado. Para uns diz que é complicado Serra sair da prefeitura. Para outros, que Serra é o candidato e que já está tudo definido. À imprensa o ex-presidente declara isenção. Conhecendo FHC, a sua tendência é reconhecer que Serra ganhou pontos que o tornam praticamente imbatível na disputa com Alckmin.

No momento, o desafio dos cardeais do PSDB é criar um pacote suficientemente atraente para que Alckmin, caso preterido, se sinta tentado a ajudar decisivamente Serra.

Outro fator que atrapalha os planos do PSDB é a falta de um candidato natural ao governo de São Paulo. Diferente de outros partidos, o PSDB trabalha no curto prazo. Terá pouco mais de um mês para escolher o seu candidato presidencial e, no máximo, até abril para definir o candidato ao governo de São Paulo. É pouquíssimo tempo frente à relevância das opções.

Lula prefere Serra
Na visão do Palácio do Planalto, é melhor Lula enfrentar o prefeito de São Paulo, José Serra, do que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, na sucessão presidencial. Isto porque pesquisas qualitativas do governo mostram que Alckmin seria "quase imbatível" entre os formadores de opinião, establishment e principais financiadores de campanha.
Por outro lado, se o candidato for José Serra, assessores de Lula já têm uma estratégia pronta. Como Serra foi ministro e candidato de FHC à sucessão de 2002, o Palácio do Planalto considera que será muito fácil atrelar a imagem do prefeito a do ex-presidente. E, ainda de acordo com a presidência da República, cerca de 80% dos indicadores do governo Lula são melhores do que a gestão FHC. É o resultado de pesquisas qualitativas realizadas nos últimos meses.

PMDB: a sedução governista, o fator Rigotto e o desgaste de Garotinho

O fato de Garotinho aparecer em terceiro lugar em diversas simulações e Rigotto oscilar entre 2% e 3% não significa que ele será o candidato do PMDB.

A rejeição de Garotinho é alta. O governador gaúcho tem espaço para crescer. Pesquisa recente do Ibope no Rio Grande do Sul mostra que a avaliação ótimo/bom/regular de Rigotto soma quase 75%. Além disso, lidera todas as simulações na disputa pela reeleição.

Há quem considere que Rigotto pode viver um surto de popularidade nas próximas semanas graças à sua crescente exposição na mídia.

A suspeita de que a revista IstoÉ tenha manipulado a divulgação da última pesquisa do Ibope para favorecer Garotinho dificulta ainda mais a situação do ex-governador carioca perante os formadores de opinião e dentro do partido. Porém, os governistas do PMDB estão cada vez mais seduzidos com a possibilidade de indicarem o nome vice-presidente na chapa de Lula. No entanto, não há certeza de que seja Nelson Jobim o nome escolhido.

Como está o quadro eleitoral hoje
- A polarização entre PT e PSDB ainda não foi ameaçada de forma consistente- Lula continua viável e tem chances de ser reeleito
- A escolha no PSDB continua incerta, com ligeira vantagem para Serra pelo fato de liderar as pesquisas
- Anthony Garotinho, congelado nas pesquisas, continua sem empolgar a maioria do PMDB
- Rigotto, mesmo sem contar com o apoio dos cardeais do partido, pode ganhar impulso nas próximas semanas
- Verticalização pode cair no Congresso ainda que a briga prossiga nos tribunais

 

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