
Para Lula, que nas pesquisas do ano passado estava atrás de José Serra nas simulações de primeiro turno, os resultados da última pesquisa Ibope (12 a 16 de janeiro) foram positivos. Ainda que tenha a maior rejeição entre os seus principais adversários (30%), o nome do presidente ainda oscila entre 35% e 41% das intenções de voto. Vale lembrar que Lula está há meses sob intenso tiroteio da oposição e da imprensa.
A recuperação de Lula pode ser explicada por alguns fatores. Um deles é que no último trimestre do ano, por conta do Natal, as contratações costumam aumentar, o que ajuda a criar uma boa expectativa na população economicamente ativa. Outro ponto é que Lula e o governo tiveram boa exposição na mídia com o pagamento da dívida com o FMI, o anúncio, ainda que cheio de confusão, do plano de recuperação das estradas, e o aumento de gastos.
O recesso branco do Congresso ajudou a reduzir a pancadaria da oposição no governo. Somado a isso, não houve nenhum fato novo grave capaz de prejudicar a imagem do governo.
Os resultados da pesquisa ajudam a confundir ainda mais o PSDB. Apesar de Serra ser o candidato mais forte do partido, ele perde para Lula no primeiro turno e está tecnicamente empatado com o presidente no segundo. Isso pode fazer com que o prefeito de São Paulo pense melhor na possibilidade de deixar o cargo para disputar a presidência da República (veja comentário específico sobre o PSDB).
Alckmin continua empatado com Garotinho e no melhor cenário aparece com 18%. Ou seja, parte do PSDB teme que Alckmin não consiga garantir seu lugar no segundo turno. Os resultados da pesquisa deixam claro para o PSDB que a batalha não está ganha e poderá ser mais difícil do que eles imaginavam.
Serra está levando vantagem na disputa
Ultrapassada a metade do mês, José Serra consolida dianteira na disputa com Geraldo Alckmin pela candidatura presidencial do PSDB. Foi o que mostrou a pesquisa do Ibope divulgada na quinta-feira passada. Serra aparece muito bem apesar da liderança de Lula.
Geraldo Alckmin continua patinando. Mesmo tendo elevado o tom de suas declarações. Pelo menos tem a comemorar o fato de ser o candidato preferido dos parlamentares do seu partido. Assim como dos banqueiros, do mercado e dos empresários. Já é alguma coisa. Mas não é suficiente para arbitrar a escolha a seu favor.
Alckmin continua dando a impressão de ser muito "paulista" e pouco nacional. Além de não ter interlocutores de confiança na elite do jornalismo. Nem se mostra bem relacionado com o PFL. Serra articula em elevada voltagem, enquanto Alckmin dá a impressão de atuar em marcha lenta.
José Serra, apesar da aparente vantagem, não deve descansar. Sua imagem junto a setores do empresariado não é boa. Consideram-no personalista, egocêntrico, arrogante e obsessivo. Episódios de sua relação com a indústria farmacêutica e os planos de saúde são lembrados. Serra é visto por muitos como um "José Dirceu" mais competente e preparado e com baixíssima capacidade de ouvir. Seus amigos dizem que não é bem assim, mas a impressão existente é ruim e retira energia de sua candidatura.
Alguns interlocutores influentes do empresariado chegam a considerar que Lula é ainda a melhor opção, desde que mantenha Palocci no comando da economia. Serra deve combater o mito sobre sua imagem. Não custa lembrar que Ciro Gomes sofreu por ser percebido como um político voluntarioso e cabeça-dura.
O favoritismo do prefeito não facilita o desafio que será abandonar o cargo e entregá-lo de bandeja a Gilberto Kassab. Se acontecer, será um fato que terá que ser bem explicado. Além disso, será preciso encontrar um bom lugar para Alckmin, que poderá ser decisivo para a sua eleição.
FHC continua afiado. Para uns diz que é complicado Serra sair da prefeitura. Para outros, que Serra é o candidato e que já está tudo definido. À imprensa o ex-presidente declara isenção. Conhecendo FHC, a sua tendência é reconhecer que Serra ganhou pontos que o tornam praticamente imbatível na disputa com Alckmin.
No momento, o desafio dos cardeais do PSDB é criar um pacote suficientemente atraente para que Alckmin, caso preterido, se sinta tentado a ajudar decisivamente Serra.
Outro fator que atrapalha os planos do PSDB é a falta de um candidato natural ao governo de São Paulo. Diferente de outros partidos, o PSDB trabalha no curto prazo. Terá pouco mais de um mês para escolher o seu candidato presidencial e, no máximo, até abril para definir o candidato ao governo de São Paulo. É pouquíssimo tempo frente à relevância das opções.
| Lula prefere Serra |
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| Na visão do Palácio do Planalto, é melhor Lula enfrentar o prefeito de São Paulo, José Serra, do que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, na sucessão presidencial. Isto porque pesquisas qualitativas do governo mostram que Alckmin seria "quase imbatível" entre os formadores de opinião, establishment e principais financiadores de campanha. Por outro lado, se o candidato for José Serra, assessores de Lula já têm uma estratégia pronta. Como Serra foi ministro e candidato de FHC à sucessão de 2002, o Palácio do Planalto considera que será muito fácil atrelar a imagem do prefeito a do ex-presidente. E, ainda de acordo com a presidência da República, cerca de 80% dos indicadores do governo Lula são melhores do que a gestão FHC. É o resultado de pesquisas qualitativas realizadas nos últimos meses. |
PMDB: a sedução governista, o fator Rigotto e o desgaste de Garotinho
O fato de Garotinho aparecer em terceiro lugar em diversas simulações e Rigotto oscilar entre 2% e 3% não significa que ele será o candidato do PMDB.
A rejeição de Garotinho é alta. O governador gaúcho tem espaço para crescer. Pesquisa recente do Ibope no Rio Grande do Sul mostra que a avaliação ótimo/bom/regular de Rigotto soma quase 75%. Além disso, lidera todas as simulações na disputa pela reeleição.
Há quem considere que Rigotto pode viver um surto de popularidade nas próximas semanas graças à sua crescente exposição na mídia.
A suspeita de que a revista IstoÉ tenha manipulado a divulgação da última pesquisa do Ibope para favorecer Garotinho dificulta ainda mais a situação do ex-governador carioca perante os formadores de opinião e dentro do partido. Porém, os governistas do PMDB estão cada vez mais seduzidos com a possibilidade de indicarem o nome vice-presidente na chapa de Lula. No entanto, não há certeza de que seja Nelson Jobim o nome escolhido.
| Como está o quadro eleitoral hoje |
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| - A polarização entre PT e PSDB ainda não foi ameaçada de forma consistente- Lula continua viável e tem chances de ser reeleito - A escolha no PSDB continua incerta, com ligeira vantagem para Serra pelo fato de liderar as pesquisas - Anthony Garotinho, congelado nas pesquisas, continua sem empolgar a maioria do PMDB - Rigotto, mesmo sem contar com o apoio dos cardeais do partido, pode ganhar impulso nas próximas semanas - Verticalização pode cair no Congresso ainda que a briga prossiga nos tribunais |